Artigos

Conheça alguns dos meus artigos autorias:

A ETIOLOGIA SEXUAL DA NEUROSE

Em 1914, no artigo A história do movimento psicanalítico, Freud relata com convicção a sua descoberta sobre a etiologia sexual das neuroses, e vai defendê-la em uma reunião da Sociedade de Psiquiatria e Neurologia de Viena, conduzida por Krafft-Ebing (FREUD, 1886c). Nela, Freud esperava que suas descobertas fossem bem aceitas, mas, ao apresentá-las, ora o silêncio, ora as insinuações que lhe eram dirigidas, apontavam que suas afirmações poderiam promover cisões no seio do movimento psicanalítico. Mesmo assim, Freud (1896c) manteve-se firme em suas observações e conclusões:

“Para causar a histeria, não basta ocorrer na vida do sujeito um evento relacionado à vida sexual e que se torne patogênico pela liberação e supressão de um afeto aflitivo. Pelo contrario, tais traumas sexuais devem ter ocorrido na tenra infância, antes da puberdade, e seu conteúdo deve consistir numa irritação real dos órgãos genitais (por processos semelhantes à copulação)”. (FREUD, 1896c, p.164).

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A ANGÚSTIA: CONCEITO E FENÔMENOS

Resumo

A partir da constatação de um enfraquecimento dos debates sobre a angústia, o presente estudo procura resgatar o conceito e os fenômenos da angústia dentro da leitura psicanalítica. Ele se divide em quatro partes assim nomeadas: antecedentes filosóficos do conceito psicanalítico de angústia;  a construção do conceito freudiano e as duas teorias da angústia; as vicissitudes do diagnóstico de neurose de angústia nas sucessivas CID e nos DSM; a contribuição de Lacan e os fenômenos da angústia.

Palavras-chave: angústia; Dasein; medo; recalque; CID e DSM; pulsão do olhar; objeto a.

Abstract


Derivado do latim angustiare, o vocábulo angústia significa primeiramente estreiteza, limite, redução, restrição, significantes que expressam com clareza as sensações que acometem um sujeito angustiado: aperto, sufocação, vertigem. Por esse motivo, não é raro encontrarmos nos relatos de sujeitos angustiados uma referência à necessidade imperiosa de sair à rua, andar do lado de fora da casa, tomar ar fresco, caminhar a ermo, eventualmente correr.

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Leonardo da Vinci e a Fantasia

Este trabalho pretende desenvolver, brevemente, a relação da fantasia inconsciente com a obra de arte, partindo do estudo da produção artística de Leonardo da Vinci. Para tal, lançamos mão do texto freudiano de 1910, intitulado ―Leonardo da Vinci e uma lembrança de sua infância‖, no qual vai afirmar que onde há produção artística e intelectual, há uma constituição psíquica. Quando Freud fala de Leonardo, percebemos que ele sempre tem o cuidado de analisar a função da fantasia em seu trabalho artístico.

Em 1452, na cidade de Vinci, entre Florença e Empoli, nasceu Leonardo. Seu pai, o tabelião Piero não se casou com a jovem camponesa Catarina, sua mãe, recusando-se a dar ao menino um nome, o que veio a tornar famosa a aldeia de Vinci. Leonardo passou a infância na casa do avô, longe do pai, mimado pela mãe. (CARTA & MARGULIE, 2010).

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O desejo na constituição do sintoma histérico

Lembremos que na história da histeria, quando os teólogos sustentavam o discurso do saber  sobre o homem, eram as histéricas que realizavam o papel das bruxas, feiticeiras, possuídas etc… Porém essa passagem da suposição do saber da religião para ciência foi o que arrastou a histérica da fogueira dos inquisidores para o consultório médico.  A partir de então, a medicina ganha novo fôlego e a cientificidade passa avançar um pouco mais em prol das histéricas. (TRILLAT, 1991).

Dando ênfase à histeria, constatamos que Charcot, permaneceu como mestre, tendo a hipnose como instrumento, daí o aspecto teatral. Somente Charcot poderia dar dignidade à histeria na clinica médica porque, até então, a histeria era considerada uma simulação.

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O Enlace entre a pulsão e o sintoma histérico

Ao considerarmos os enunciados de Freud sobre o sintoma histérico, verificamos o que reafirma Lacan em sua Conferência pronunciada em Genebra sobre o sintoma. Nesta, ele reafirma o postulado freudiano de que os sintomas tem  um sentido sexual e um caminho até a sua formação.  O sintoma é o companheiro sexual do sujeito.

Além disso, consideremos com Freud (1926[1925]) que o sintoma é o resultado sempre de um conflito, pois ele representa a busca de  uma satisfação para a libido. Sabemos que a libido insatisfeita vai procurar  uma saída para se satisfazer e por essa razão diríamos que o sintoma fala, joga com o equívoco da língua e, assim Quinet 2005 nos ensina: “O corpo é também a mesa de jogo entre consciente e o inconsciente, entre o sentido e o não sentido, entre a presença recalcante da razão e o retorno do recalcado.” (idem, ibidem, p.112 )

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